Por Isabela Gabrielzyk Lima
"Esquisita"
Essa palavra grudou em mim o resto do dia, como chiclete no cabelo.
Naquela noite, eu perguntei para a minha mãe:
— Mãe... é ruim ser diferente?
Ela me olhou com carinho, fez um cafuné no meu cabelo e disse:
— Diferente de quem, filha?
— De todo mundo... Eu não gosto de futebol, nem de brincar de princesa. Eu não gosto de rosa. Eu gosto de desenhar, de pintar, de ler livros de magia e imaginar histórias. Eu gosto de ser quem eu sou, mas parece que ninguém mais gosta.
Ela sorriu e falou:
— Sofia, ser diferente não é ruim. É especial. Só que nem todo mundo entende isso logo de cara.
Mas eu ainda não me sentia especial. Eu só me sentia... fora da caixa.
8 Anos. Era a idade que Isabela Gabrielzyk Lima tinha quando escreveu: Clube das Crianças que não se Encaixam. O título inicialmente, era: a menina que não se encaixava na caixa. Porque era exatamente assim que ela se sentia. Ela foi diagnosticada com TDAH, mas em momento nenhum ela o trata como um transtorno, pelo contrário, isso lhe deu forças, e é o que vemos em sua trajetória.
Na obra, ela conta a história de Sofia, uma menina de 8 anos que se sente diferente das outras. Ela só entende que "não cabe em nenhuma caixa". Enquanto as demais crianças parecem se encaixar facilmente em seus grupos e atividades, Sofia se sente como uma peça de quebra-cabeça que não encontra seu lugar.
Mas em vez de tentar se moldar para se encaixar, Sofia descobre que ser diferente é um poder. Com uma mensagem de autoaceitação e empoderamento, este livro é para todas as crianças que se sentem "diferentes" e precisam saber que está tudo bem não caber na caixa. Sofia nos mostra que talvez você tenha nascido para criar a sua própria caixa, e que isso é algo incrível!
Curiosidade: A capa e todas as ilustrações do livro foram feitas pela própria autora, e posteriormente, pintadas por uma ilustradora.
Você pode adquirir o livro clicando AQUI - Use o cupom: AMAEINDICA
A chegada dos primeiros dentinhos é um momento muito esperado e, ao mesmo tempo, cercado de dúvidas, inseguranças e até alguns mitos.
Como Odontopediatra, acompanho diariamente mães e pais que chegam ao consultório tentando identificar se os sintomas do bebê são realmente da dentição ou se há algo mais acontecendo.
Sintomas comuns nas crianças nessa fase:
- Aumento da salivação
- Gengiva inchada e/ou avermelhada
- Coceira intensa na gengiva
- Febrícula
- Vontade de morder objetos e alimentos
- Sono mais leve ou despertares noturnos
- Irritabilidade leve
Sintomas que NÃO são causados pelos dentes: Esses sinais não têm relação direta com a erupção dentária e devem ser observados com cuidado:
* Febre alta
* Diarreia intensa
* Vômitos
* Falta de apetite por mais de 48 horas
Se algum desses sintomas aparecer, é importante investigar outras causas com um pediatra!
Sintomas indiretos que podem acontecer (e confundem os pais!):
* Aumento do choro por frustração
* Maior necessidade de colo
* Irritação ao mamar
* Diarreia - devido ao fato da criança levar mais a mão até a boca.
Esses sinais estão ligados ao incômodo geral e à fase sensível que o bebê vive nesse momento. Vamos ver o que realmente pode ajudar.
O que realmente ajuda a aliviar o desconforto:
1. Laserterapia no consultório: Um dos métodos mais potentes para reduzir dor, inflamação e acelerar o processo de erupção. O bebê não sente dor e o alívio costuma ser imediato.
2. Frutas e legumes gelados: Pepino ou cenoura geladinhos ajudam a massagear e anestesiar naturalmente a gengiva, além de serem nutritivos.
3. Picolé de leite materno: Uma solução caseira perfeita para bebês menores, sendo o leite materno o melhor alimento existente.
4. Mordedores gelados. O frio suave ajuda a diminuir a inflamação e acalmar a gengiva. Atenção: sempre oferecer sob supervisão.
5. Camillia®: Pode ajudar no relaxamento e na diminuição da irritabilidade em alguns bebês, sendo uma opção natural usada com orientação.
6. Solução manipulada de Calêndula (BioEssência Farmácia de Manipulação em Maringá): Calmante natural que pode ser usado para suavizar o desconforto gengival.
Uma fase desafiadora, mas passageira! A erupção dentária pode ser cansativa, mas é também um marco importante no desenvolvimento do seu bebê. Com informação correta, acolhimento e orientações práticas, é possível tornar esse momento muito mais leve para o bebê e para toda a família.
Se você quiser entender melhor como cuidar dessa fase e acompanhar a saúde bucal do seu filho desde os primeiros meses, estou à disposição.
Myleni Saúgo
Odontopediatra
e o Papel da Liberação Miofascial no Alívio das Dores e da Postura
A gestação é um período de intensas mudanças no corpo da mulher. À medida que o bebê cresce, o centro de gravidade se desloca para a frente, aumentando a curvatura lombar e exigindo maior esforço dos músculos das costas.
Para compensar, ombros e pescoço tendem a se projetar para frente, gerando tensões que se somam ao aumento natural da frouxidão ligamentar provocado pelos hormônios gestacionais. Tudo isso resulta em dores frequentes na lombar, quadris, região torácica e cervical.
Após o parto, novas demandas surgem: amamentar, carregar o bebê, noites mal dormidas e movimentos repetitivos que mantêm o corpo em posturas sustentadas. Muitas mães permanecem com padrões compensatórios da gestação, o que prolonga desconfortos e limita a mobilidade.
É nesse cenário que a liberação miofascial se torna uma aliada essencial. Por atuar diretamente nas tensões acumuladas na fáscia — tecido que conecta, sustenta e organiza músculos e articulações — a técnica não apenas reduz dores, mas também restaura a harmonia entre estrutura e movimento, benefício fundamental após as intensas adaptações da gestação.
No pós-parto, quando o corpo ainda está se reorganizando e muitas compensações permanecem ativas, a liberação miofascial se destaca como um dos métodos mais eficazes para promover ajustes posturais profundos, liberando restrições, melhorando a mobilidade global e devolvendo funcionalidade aos padrões de movimento.
Além do alívio imediato, a técnica contribui para uma reorganização corporal duradoura, favorecendo a consciência postural e ajudando as mamães a reencontrarem um alinhamento mais equilibrado e estável para o ritmo exigente do dia a dia com o bebê.
Gabriela Arroyo
Especialista em postura e movimento
Rafaela Carvalho
Guacamole apimentada. Foi o que comprei no mercado sem querer. Cada vez que a minha filha afundava sua tortilha na guacamole, eu rapidamente tirava os pontinhos vermelhos.
E ela comia.
Até que vi tantos vermelhinhos que tive que passar o dedo e raspar tudo de uma vez. E a choradeira foi generalizada. “Mamãe ruim” - era o que eu lia no olhar desapontado.
E foi assim que notei. Percebi em algo simples, detalhes do nosso relacionamento com Deus.
Quantas vezes não percebemos o bem que nos é feito? O emprego que não deu certo. O relacionamento que acabou. A amizade que disse adeus. Os planos de viagem que foram por água abaixo. A cirurgia de emergência, as dificuldades inesperadas, os tropeços.
Quantas pimentas Ele já tirou do caminho da sua garganta? Quantos dos pontinhos escuros que pareciam inocentes gotas de chocolate desceriam ardendo? Quantos são os favores escondidos?
É preciso confiar. É preciso fechar os olhos, mesmo com eles marejados. É preciso levantar no escuro e com humildade dar o primeiro passo. E o segundo e o terceiro. E continuar caminhando.
É preciso entregar nas mãos. Trabalhar com os olhos vendados. É preciso pedir colo, sem temer cair. Como a criança que pede para a mãe, sem medo, sem qualquer dúvida. Carregando a certeza que só o amor tem. É preciso acreditar por inteiro.
É preciso lembrar que o caminho certo nem sempre é florido como desenhamos em nossa mente. E que há motivos. Sim, existe um milhão deles. Há explicação para cada curva e para cada pedra. Nós é que somos pequeninos, que temos a visão proporcionalmente pequenina. E não enxergamos. Mas até isso, até o esconderijo das razões é um presente. Dizem por aí que ignorância é uma benção. Neste caso ela realmente é.
E foi assim que eu me vi na menina chorando, com sua tortilha vazia. E foi assim que reconheci uma pequena pontinha de Deus em mim e em nós, mães.
Pois, apesar de todo esperneio, continuei retirando as pimentas e fazendo aquilo que quem ama incondicionalmente sempre faz: o meu trabalho.
Trecho retirado do best-seller 60 dias de neblina e do perfil da autora Rafaela Carvalho.
Quando falamos em parto, é comum pensarmos na equipe médica. Mas existe uma presença silenciosa e constante, que caminha ao lado da mulher antes, durante e depois do nascimento: a doula.
A doula oferece suporte emocional, físico e informacional durante a gestação, o parto e o pós-parto. Seu papel não é o de substituir a equipe de saúde, mas o de acompanhar e cuidar da mulher de forma contínua, ajudando a compreender o que acontece com seu corpo, suas emoções e seu processo.
Durante a gestação, esse apoio se traduz em informação clara e acessível, sem julgamentos. Falamos sobre as mudanças do corpo, as fases do trabalho de parto, o que é considerado normal, os direitos da mulher e as possibilidades de escolha. Estar informada muda completamente a experiência e traz segurança, autonomia e tranquilidade.
No parto, a doula está presente desde o início, oferecendo conforto físico e emocional. É quem observa, acolhe, auxilia com posições, respiração e métodos de alívio da dor. É também uma ponte entre a mulher, o acompanhante e a equipe, ajudando a manter o ambiente respeitoso e alinhado às preferências da gestante.
Mas o trabalho da doula não se limita ao parto vaginal. Nas cesarianas também há espaço para o cuidado e para o acolhimento. A mulher que passa por uma cesariana também carrega dúvidas, medos e expectativas. Ter uma doula ao lado nesse momento, oferecendo suporte emocional, ajudando a compreender o que está acontecendo, pode transformar completamente a vivência da cirurgia.
Ser doula é estar junto. É validar, ouvir, acolher e informar. É lembrar que cada nascimento é único, e que toda mulher merece viver essa experiência com respeito, segurança e afeto.
Tammy Ganem - Doula e Educadora Perinatal
Você se tornou mãe, e junto com esse amor imenso, veio também uma sensação difícil de explicar. A de que, de alguma forma, você se perdeu de si. Não é sobre não amar o seu filho.
É sobre sentir saudade de quem você era antes da maternidade, das pausas, da leveza, da mulher que tinha tempo pra se ouvir. E talvez essa falta não seja apenas sobre o agora. Talvez ela seja antiga.
Antes de ser mãe, você foi filha. E, quando criança, talvez tenha adoecido, chorado, sentido medo, e nem sempre foi acolhida.
Talvez tenha aprendido cedo que precisava dar conta sozinha, que não podia pedir muito, que precisava ser forte.
E hoje, diante do seu filho, o cansaço vem não só da rotina… mas de tudo aquilo que ainda pulsa dentro de você. Porque cuidar de um filho também desperta o que ainda dói na criança que você foi.
Por isso, às vezes, você se doa até se esvaziar. Ou se irrita porque ele te pede o que você mesma nunca recebeu. Ou se frustra com o companheiro, porque a falta de presença dele reabre a ausência que você sentiu do seu pai. Ou julga sua mãe, mesmo tentando não repetir a história dela.
E no meio desse turbilhão, o que sobra é o cansaço. Um cansaço que não passa com dormir mais. Porque o que falta não é só descanso. É cuidado. É acolhimento. É alguém que olhe pra você com a mesma ternura com que você tenta olhar pro seu filho.
O pós-maternidade não é só sobre ajustar rotinas. É sobre se reencontrar. É sobre permitir que a mulher que existe dentro de ti volte a sentir que é, além da mãe. Perceber suas próprias necessidades. E, com carinho, aprender a cuidar de si também. Para depois cuidar melhor da sua criança e de toda a sua família. E além disto, quando você para de julgar sua história e começa a cuidar de você, a sua casa entra em harmonia e você vive com mais leveza. Pois a transformação começa em você mas se estende aos seus filhos e todos que convivem com você!
Voltar pra si é o começo da transformação — para você, para o seu filho e para todos que convivem com você.
E só você pode fazer isto! Vamos juntas nesta jornada de auto-conhecimento e cura?
Fernanda Savaris
Terapeuta Integrativa Sistêmica, Mentora de Mães, Microfisioterapia